A CENA
excerto de "O Macaco de Rabo Cortado", de António Torrado


(...)
Ia ele por uma rua, quando passou perto de uma peixeira.
- Que linda navalha traz o menino na mão - disse a peixeira. - O meu carinha de anjo não me quer dar a navalhita, para eu amanhar o meu peixe?
O macaco ficou todo derretido com as falas da peixeira e, já se vê, deu-lhe a navalha.
De mãos a abanar é que sabe bem passear...
Mas, passado tempo, veio-lhe a vontade de chamar outra vez sua á navalha e voltou atrás, à procura da peixeira.
- Olha o macaco paspalhão a perguntar pela navalha... Fique sabendo que não prestava para nada. Mal lhe peguei, para amanhar umas sardinhas, partiu-se – disse-lhe a peixeira.
Aí o macaco zangou-se. Zangou-se e fez outro disparate. Pegou numa canastra de sardinhas e abalou, dizendo:
- Nesse caso, levo-lhe as sardinhas com que me estragou a navalha.


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publicado por abelvarzim-evt às 13:05